O segundo livro de Utopia....será publicado nas proximas edições.....
Obrigado!!!!
sexta-feira, 13 de julho de 2007
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Mony Duraes : )
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pública, fora a aplicação do princípio da igualdade. Ora, a igualdade é, creio,
impossível num Estado em que a posse é particular e absoluta; porque cada um
se apoia em diversos títulos e direitos para atrair para si tudo quanto possa, e a
riqueza nacional, por maior que seja, acaba por cair na posse de um reduzido
número de indivíduos que deixam aos outros apenas indigência e miséria.
Muitas vezes até a sorte do rico deveria caber ao pobre. Não há ricos avaros,
imorais, inúteis, e pobres simples, modestos, cujo engenho e trabalho trazem
proveito ao Estado mas não, o trazem a si mesmos?
Eis o que invencivelmente me persuade que o único meio de distribuir os bens
com igualdade e justiça, e de fazer a felicidade do gênero humano, é a abolição da
propriedade. Enquanto o direito de propriedade for o fundamento do edifício social,
a esse mais numerosa e mais estimável não terá por quinhão senão miséria,
tormentos e desesperos.
Sei que existem remédios que podem aliviar o mal; mas estes remédios são
impotentes para curá-lo. Por exemplo:
Decretar um máximo de posse individual em terras e dinheiro
Premunir-se por meio de severas leis contra, o despotismo e a anarquia.
Denunciar e castigar a ambição e a intriga. Não traficar as magistraturas.
Suprimir o fausto e a representação nos altos cargos, a fim de que o
funcionário, para sustentar sua posição, não se entregue à fraude e à rapina; ou, a
fim de que não seja obrigado a dar aos mais ricos os cargos que deveriam caber
aos mais capazes.
Estes meios, repito-o, são excelentes paliativos que podem adormecer a dor e
aliviar as chagas do corpo social; mas não espereis com isto devolver-lhe a força e
a saúde, enquanto cada um possuir solitariamente e absolutamente seus bens;
podeis cauterizar uma úlcera, mas inflamareis todas as outras; curareis um
doente, e matareis um homem são; porque o que acrescentais ao haver de um
indivíduo tirais ao de seu vizinho.
Disse eu, então, a Rafael:
Longe de compartilhar vossas convicções, penso, ao contrário, que o país em
que se estabelecesse a comunidade de bens seria o mais miserável de todos os
países. Com efeito, como produzir para as necessidades do consumo? Todo
mundo fugiria do trabalho e descansaria dos cuidados com sua existência sobre o
trabalho dos outros. E, mesmo que a miséria perseguisse os preguiçosos, desde
que a lei não mantém inviolavelmente, para e contra todos, a propriedade de cada
um a rebelião rugiria, sem cessar, esfomeada e ameaçadora, e a matança
ensangüentaria vossa república.
Que barreira oporíeis à anarquia? Vossos magistrados têm apenas uma
autoridade nominal; estão despidos, despojados de tudo que impõe o temor e o
respeito. Não chego nem mesmo a conceber a possibilidade de governo nesse
povo de niveladores que repele toda espécie de superioridade.
Não me espanto que penseis assim, replicou Rafael. Vossa imaginação não
poderia fazer a. menor idéia de uma tal república, ou dela tem apenas uma idéia
falsa. Se tivésseis estado na Utopia, se tivésseis assistido ao espetáculo de suas
instituições e de seus costumes, como eu, que lá passei cinco anos de minha vida,
e que não me decidi a sair senão para revelar esse novo mundo ao antigo,
confessaríeis que em nenhuma outra parte existe sociedade perfeitamente
organizada.
Pedro Gil disse então, dirigindo-se a Rafael:
- Não me persuadireis jamais que haja nesse novo mundo povos melhor
constituídos do que neste. A natureza não produz entre nós espíritos de têmpera
inferior. Temos, além disso, o exemplo de uma civilização mais antiga, e uma série
de descobertas, que o tempo fez brotar, para as necessidades ou para o luxo da
vida. Não me refiro às invenções nascidas do acaso, e que o gênio mais sutil não
teria podido imaginar.
- A questão da antigüidade, respondeu Rafael, vós a discutiríeis com mais
solidez se tivésseis lido as histórias desse novo mundo. Ora, segundo essas
histórias, lá houve cidades, antes que aqui houvesse homens. Pelo que se refere
às descobertas devidas ao gênio ou ao acaso, elas podem igualmente surgir em
todos os continentes. Admito que tenhamos sobre esses povos a superioridade da
inteligência; em compensação, eles nos deixam bem atrás em matéria de
atividade e engenho. Ides ter a prova:
Seus anais testemunham que não tinham jamais ouvido falar de nosso mundo,
antes de nossa chegada; somente, há aproximadamente mil e duzentos anos, um
navio impelido pela tempestade afundou em frente à ilha da Utopia. As ondas
jogaram à praia alguns egípcios e romanos, que, desde então, só com vida,
queriam deixar o país. Os utopianos tiraram desse acontecimento um partido
enorme; na escola dos náufragos aprenderam tudo que estes conheciam das
ciências e artes espalhadas no império romano. Mais tarde, esses primeiros
germes se desenvolveram, e o pouco que os utopianos tinham aprendido, levouos
a descobrir o resto. Assim, um único ponto de contato com o mundo antigo
bastou para transmitir-lhes a indústria e o gênio.
É possível que depois desse naufrágio, a mesma sorte tenha levado alguns
dos nossos à Utopia; mas a lembrança disso está completamente apagada.
Talvez a posteridade também esqueça a minha estadia nesta ilha afortunada,
estadia esta que foi infinitamente preciosa para os seus habitantes, pois, por este
meio, puderam apropriar-se das mais belas invenções da Europa.
Mas para nós, quantos séculos nos serão precisos para aprender deles o que
há de perfeito em suas instituições? Eis o que lhes dá a superioridade do bemestar
material e social, embora os igualemos em inteligência e riqueza: essa
atividade do espírito dirigida incessantemente para a pesquisa, o aperfeiçoamento
e a aplicação, das coisas úteis.
- Pois então, disse eu a Rafael, fazei-nos a descrição desta ilha maravilhosa.
Não suprimais nenhum detalhe, suplico-vos. Descrevei-nos os campos, os rios, as
cidades, os homens, os costumes, as instituições, as leis, tudo o que pensais que
desejamos saber, e, acreditai-me, esse desejo abarca tudo que ignoramos.
- Com muito gosto, respondeu Rafael; essas coisas estão sempre presentes à
minha memória; mas a narrativa exige tempo.
- Nesse caso, disse-lhe, vamos então jantar, primeiro; teremos depois todo o
tempo necessário.
- Perfeitamente, acrescentou Rafael. Entramos então em casa para jantar, e
depois voltamos ao jardim, onde sentamo-nos no mesmo banco. Recomendei
particularmente aos criados afastar os importunos, pois havia associado minhas
instâncias às de Pedro, para que Rafael cumprisse sua promessa. Sentindo a
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Mony Duraes : )
às
06:34
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Dizeis a verdade se vos referis a esta filosofia de escola, que ataca de frente,
e cegamente, os tempos, os lugares, e as pessoas. Mas, existe uma filosofia
menos selvagem; esta conhece o teatro em que atua, e, na peça que deve
representar, desempenha seu papel com decência e harmonia. É esta a que
deveis empregar.
Suponhamos que, durante a representação de uma comédia de Plauto, no
momento em que os escravos estão de bom humor, irrompeis em cena, em trajes
de filósofo, declamando a passagem de Otávio, em que Sêneca repreende e
prega moral a Nero; duvido muito que fôsseis aplaudido. Certamente, teríeis agido
com mais acerto se vos tivésseis limitado ao papel de um personagem mudo do
que oferecer ao público este drama tragicômico. Um monstruoso amálgama
destes estragaria todo o espetáculo, mesmo que a vossa citação valesse cem
vezes mais do que a peça. Um bom ator pôe todo seu talento no papel que vai
representar, qualquer que ele seja; e não perturba o conjunto, porque lhe ocorre à
fantasia declamar uma tirada magnífica e pomposa.
Da mesma maneira convém agir quando se delibera acerca dos negócios do
Estado, no seio do conselho real; Se não se pode desarraigar de uma só vez as
máximas perversas, nem abolir os costumes imorais, não é isto razão para se
abandonar a causa pública. O piloto não abandona o navio diante da tempestade
porque não pode domar o vento.
Falais a homens imbuídos de princípios contrários aos vossos; que caso
poderão fazer de vossas palavras, se lhes atirais à face a contradita e o
desmentido? Segui o caminho oblíquo - ele vos conduzirá mais seguramente à
meta. Aprendei a dizer a verdade com propriedade e a propósito; e, se vossos
esforços não puderem servir para efetuar o bem, que sirvam ao menos para
diminuir a intensidade do mal; porque tudo só será bom e perfeito, quando os
próprios homens forem bons e perfeitos; e até lá, os séculos passarão.
Rafael respondeu:
Quereis saber o que me sucederia se assim procedesse? Ao querer curar a
loucura dos outros, acabaria demente também. Mentiria, se falasse doutra
maneira da que vos falei. A mentira é talvez permitida a certos filósofos, mas não
está em minha natureza.. Sei que minha linguagem parecerá dura e severa aos
conselheiros do rei; apesar disso, não vejo por que sua novidade seja de tal modo
estranha que toque ao absurdo. Se me referisse às teorias da república de Platão,
ou aos usos atualmente em vigor entre os utopianos, coisas melhores e
infinitamente superiores às nossas idéias e costumes, então, poder-se-ia crer que
eu vinha de outro mundo, porque aqui o direito de possuir de seu pertence a cada
um, enquanto que lá todos os bens são comuns. Mas, o que disse eu que não
fosse conveniente e mesmo necessário de se divulgar. Minha moral mostra o
perigo e dele salva o, homem. ponderado; não fere senão o insensato que se atira
de olhos fechados ao abismo.
Há covardia ou má fé em calar as verdades que condenam a perversidade
humana, sob o pretexto de que serão escarnecidas como novidades absurdas ou
quimeras impraticáveis. De outra forma, seria necessário deitar um véu sobre o
Evangelho e dissimular aos cristãos a doutrina de Jesus. Mas Jesus proibia a seus
apóstolos o silêncio e o mistério; repetia-lhes sempre: O que vos digo em voz
baixa e ao ouvido, pregai pôr toda parte, em voz alta e às claras. Ora, a moral deCristo está muito mais em contradição aos costumes deste mundo, do que os
nossos discursos.
Os Pregadores, homens sagazes, seguiram o caminho oblíquo de que me
falastes há pouco; vendo que repugnava aos homens acomodar seus maus
costumes à doutrina cristã, torceram o Evangelho, como se fosse uma lei de
chumbo, para modelá-lo segundo os maus costumes dos homens. Onde os
conduziu esta hábil manobra? A dar ao vício a calma e a segurança da virtude.
Quanto a mim, não obteria melhor resultado nos conselhos dos príncipes,
porque, ou minha opinião é contrária à opinião geral, e, nesse caso, não seria
tomada em consideração, ou coincide com a opinião geral, e então, deliro também
com os loucos, segundo a expressão de Micion, a personagem de Terêncio.
Assim, não vejo aonde pode levar o vosso caminho retorcido. Dizeis: Quando não
se pode atingir a perfeição, deve-se, ao menos, atenuar o mal. Mas aqui, a
dissimulação é impossível e a conivência um crime, pois se trata de aprovar as
propostas mais execráveis, de votar decretos mais perigosos que a peste, e, neste
caso, aprovar perfidamente deliberações infames como essas, seria comportar-se
tal qual um espião e um traidor.
Não há, pois, nenhuma maneira de ser útil ao Estado nessas altas regiões. O
ar que aí se respira corrompe a própria virtude. Os homens que vos cercam, longe
de corrigir-se com os vossos ensinamentos, vos depravam com seu contato e pela
inf1uência de sua perversão; e se conservais vossa alma pura e incorruptível,
servireis de manto às suas imoralidades e loucuras. Não há, pois, esperança de
transformar o mal em bem, trilhando o vosso caminho oblíquo, aplicando os
vossos meios indiretos.
Agora, caro Morus, vou revelar-vos o fundo de minha alma, e dizer-vos, os
meus pensamentos mais íntimos. Em toda a parte onde a propriedade for um
direito individual, onde todas as coisas se medirem pelo dinheiro, não se poderá
jamais organizar nem a justiça nem a prosperidade. social, a menos que
denomineis justa a sociedade em que o que há de melhor é a partilha dos piores,
e que considereis perfeitamente feliz o Estado no qual a fortuna pública é a presa
de um punhado de indivíduos insaciáveis de prazeres, enquanto a massa é
devorada pela miséria.
Também, quando comparo as instituições utopianas com as dos outros países,
não me canso de admirar a sabedoria e a humanidade de uma parte, e deplorar,
da outra, o desvario e a barbaria.
Na Utopia, as leis são pouco numerosas; a administração distribui
indistintamente seus benefícios por todas as classes de cidadãos. O mérito é ali
recompensado; e, ao mesmo tempo, a riqueza nacional é tão igualmente repartida
que cada um goza abundantemente de todas as comodidades da vida.
Alhures, o princípio do teu e do meu é consagrado por uma organização cujo
mecanismo é tão complicado quão vicioso. Há milhares de leis, e que ainda não
bastam, para que um indivíduo possa adquirir uma propriedade, defendê-la e
distinguí-la da propriedade de outrem. A prova é o número infinito de processos
que surgem todos os dias e não terminam nunca. Quando me entrego a esses
pensamentos, faço inteira justiça a Platão e não me admiro mais que ele tenha
desdenhado legislar para os povos que não aceitam a comunidade dos bens.
Esse grande gênio previra facilmente que o único meio de organizar a felicidade
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Mony Duraes : )
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06:32
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Alguem a espera de um mundo melhor
- Mony Duraes : )
- Campo Grande
- Mony duraes.... veja e descubra!!!